Conclusões IoTr 2018

sala IoTr2018

No dia 12 de abril de 2018 decorreu no ISEL o primeiro seminário da associação ITS-Portugal organizado pelas Comissões Temáticas, cujo tema central foi a Internet dos Transportes (IoTr).

Tratando-se de um tema atual, onde o nome deriva do conhecido IoT (Internet of Things), a discussão decorreu principalmente centrada na nova diretiva europeia 2017/1926 e o seu impacto nos novos serviços de mobilidade partilhada, informação aos utilizadores e mobilidade cooperativa (C-ITS).

O seminário IoTr foi decorreu em três sessões distintas: a primeira centrou-se no novo regulamento 2017/1926, no desafio para um projeto europeu cujo objetivo será a integração dos serviços de informação sobre viagens multimodais; a segunda centrou-se nos serviços colaborativos nas dimensões infraestrutura e seus operadores; e, a terceira, assumiu a apresentação de uma diversidade de serviços de mobilidade e a sua resposta face ao novo regulamento.

Antes do início das sessões, ocorreu a apresentação das comissões temáticas com a enumeração dos seus objetivos e desafios que se colocam, tendo sido focados aspetos relacionados com a dimensão colaborativa e complexidade de processos e tecnologia associada à mobilidade multimodal. O regulamento 2017/1926 enquanto desafio de prestação de serviços de informação de viagens multimodais à escala Europeia é uma oportunidade para prestadores de Serviços Colaborativos envolvendo operadores de transportes públicos, concessionárias de autoestradas e pontes (portagens), parques de estacionamento, aluguer de bicicletas, entre outros recursos de mobilidade. As Comissões Temáticas, numa lógica de colaboração multidimensional envolvendo infraestruturas, veículo, segurança, mercadoria, mobilidade, I&D, assumem a dinamização deste sistema de mobilidade integrado a desenvolver num quadro regulado e auditado, no garante de qualidade de serviços (QoS) para o cidadão e desenvolvido no quadro de uma arquitetura e especificações abertas (Normas) com certificação de conformidade de processos e sistemas tecnológicos. O desafio de “pensar” para o cidadão europeu um serviço de pagamento com um Contrato Único (Serviços Colaborativos), em qualquer operador de mobilidade foi considerada a oportunidade para dinamização do setor e do país. A materialização das ações das Comissões Temáticas centra-se em seminários (na linha do IoTr), na promoção de encontros de reflexão e discussão de temas, na criação de um fórum de discussão de temas, apoiado na página Web da associação ITS-Portugal, na promoção de artigos técnicos (não comerciais) envolvendo associados, entre outras ações. Foi deixado como hipótese de desafio imediato a equação de uma rede de colaboração envolvendo entidades com responsabilidade pública na definição de políticas / regulação, empresas fornecedoras de produtos (indústria) ou serviços, empresas operadoras de infraestruturas, clientes de produtos/serviços e o sistema de ciência e tecnologia, na construção de um modelo de contrato único para serviços de mobilidade no espaço europeu.

No âmbito da primeira sessão, foi possível obter uma visão mais abrangente da própria CE (representada pelo Eng.o Pedro Barradas) sobre o impacto do novo regulamento. O foco principal desta norma não é apenas a disponibilização de dados para viagens multimodais, mas igualmente a melhoria contínua do serviço prestado, sendo este passo o colmatar do ITS Action Plan iniciado em 2008. Pretende-se, ao abrigo desta norma, a criação de um ponto de acesso nacional (National Access Point – NAP), cujo principal desafio será garantir a harmonização dos dados tratados (podendo ser tanto estáticos como dinâmicos) e, paralelamente, assegurar condições para a sua reutilização nos múltiplos serviços. Seguiu-se a apresentação do projecto europeu How2Go, apresentado pelo Eng.o Ricardo Tiago, na formulação da criação do referido NAP com o objetivo de aceleração da interoperabilidade em sistemas ITS, a implementação de uma linguagem pré-definida para sistemas de transporte público (NeTEx) e garantir um plano de ação pós-financiamento europeu para a subsistência deste projeto.

No decorrer da segunda sessão, após familiarizados com os conceitos NAP, foi possível enquadrar a perspectiva dos gestores da infraestrutura e os operadores, graças às apresentações da Infraestruturas de Portugal (Eng.o João Carlos Silva) e Comboios de Portugal (Eng.o Pedro Jesus). Com o surgimento de novas formas de mobilidade como MaaS (Mobility as a Service) e veículos conectados tanto à

infraestrutura como a outros veículos (I2V/V2I ou V2V, respetivamente), o gestor de infraestrutura tem um novo papel de integrador tanto na disponibilização de serviços associados a segurança e informação do condutor, como também na representação geográfica da rede e consequentes pontos de acesso. De um modo semelhante, os operadores ferroviários terão de adaptar os seus sistemas para otimizar a informação fornecida aos utilizadores (tanto em âmbito exclusivo ferroviário, como em ambiente multimodal). Finalmente, tanto operador como gestor de infraestrutura apostam em soluções com o mesmo enquadramento futuro: sustentabilidade económica e ambiental, inovação aliada à adaptabilidade de sistemas e a preparação das redes de transporte existentes para os veículos do futuro.

A finalizar a segunda sessão, decorreu uma discussão aberta centrada no tema Serviços vs. Aplicações. Do conjunto dos contributos, EMEL (Eng.o Óscar Rodrigues), Cascais Próxima (Eng.o Simão Vieira) e Câmara Municipal de Almada (Eng.o Gabriel Oliveira), ficou clarificado de forma mais clara o estado da arte em empresas municipais, assim como os principais desafios entre serviços app-based e tarefas de decisão ao nível na gestão estratégica sobre serviços de mobilidade.

Finalmente, na terceira sessão discutiu-se a visão e oferta dos prestadores de serviços de mobilidade (Via Verde, por intermédio do Eng.o Pedro Mourisca), integração de sistemas (GMV, por intermédio do Eng.o João Sequeira) e mobilidade suave (Órbita/Miralago, por intermédio do Eng.o Paulo Rodrigues). O intuito desta sessão foi a apresentação de serviços totalmente distintos que caminham para uma realidade integrada, com sistemas de gestão partilhados (ou pelo menos integrados), sendo cada vez mais ténue a linha que os separa. Desde a facilidade associada a novos meios de pagamento, descontos associados a modos específicos de utilização baseados em perfis de utilizadores, avaliação dos impactos a àreas externas à mobilidade devido a um melhor planeamento e gestão, até a modelos evolutivos de expansão urbana focados na mobilidade das pessoas, foi possível registar que o futuro da mobilidade será claramente partilhado, numa mudança em relação ao atual modelo de mobilidade, tipicamente segregado. Um aspeto interessante desta sessão foi a opinião recorrente sobre a dificuldade de integração de sistemas tecnológicos quendo se pretende dar resposta a visões de serviços com níveis de integração superiores. O exemplo da diversidade de aplicações em dispositivo móvel para pagamento em parques de superfície nas cidades associado à necessidade de uma interface única, de convergência para que o cidadão não tenha que utilizar diferentes aplicações, ficou como questão em aberto. Ficou patente que a inovação tem que ser previamente trabalhada, sendo que o estado da arte não responde da melhor forma perante a exigência crescente de serviços colaborativos. 

SIGA-NOS

Facebook    LinkedIn   YouTube

ENVIE UM EMAIL

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

LIGUE-NOS

Tel. (+351) 213 104 166
Fax (+351) 217 816 009

ONDE ESTAMOS

Av. da República, 6 - 7º Esq
1050 - 191 Lisboa, Portugal

PARCEIROS

ITS Nationalsertico