Conferência ITS Portugal: Lisboa

A Conferência “Financiamento dos Sistemas de Mobilidade Urbana” encerrou o Ciclo de conferências de Reflexão Estratégica, subordinada ao tema Os Transportes nas Cidades Portuguesas em 2030, no passado dia 20 de junho.

Foi no Grande Auditório do Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico que a Associação para o Desenvolvimento da Mobilidade e dos Transportes Sustentáveis, promoveu o debate entre entidades públicas, membros da comunidade científica e académica, representantes do sector dos transportes e público em geral, contando também com a participação do Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, Prof. José Mendes.

O início dos trabalhos teve início com as boas vindas por parte do Dr. Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que além de saudar a realização da conferência com particular interesse numa altura em que são debatidos os temas da mobilidade, em especial entre o município de Lisboa e o poder central, não deixou de referir a necessidade de “ter uma visão clara sobre o que se pretende, uma visão integrada sobre os padrões da mobilidade”. Referido que “para que exista uma verdadeira abordagem metropolitana deve dotar-se as áreas metropolitanas de poder de decisão adequado; e que não teremos sistemas de transportes públicos na área metropolitana se não houver um financiamento publico adequado às necessidades”.

Seguidamente o Prof. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente trouxe-nos a sua visão sobre a Gestão do Financiamento dos Transportes, não deixando de referir que apesar de não ser um esforço fácil, a temática merece a melhor das atenções e a devida priorização por parte do poder central. “Quem tutela o ordenamento do território são as autarquias, logo também devem gerir o sistema de transportes propriamente dito (os operadores) para que o resultado final seja mais eficiente e é esse esforço que se está a fazer”. Para o Sr. Secretário de Estado “o estado central deve financiar os transportes de modo a criar novas e melhores condições para os utentes”.

O Prof. Arlindo Oliveira, Presidente do Instituto Superior Técnico, saudou a realização da conferência no Instituto e frisou o importante papel da engenharia nos transportes, “as tecnologias de informação estão a alterar profundamente a área e a utilização dos transportes”.

Na comunicação do Eng. Rui Camolino, Presidente da Associação, ficou presente a sua opinião em relação “a necessidade de garantir em termos nacionais um mínimo de capacidade tecnológica capaz de responder às necessidades dos sectores da mobilidade e dos transportes, inicialmente nacional e gradualmente Europeu, onde este segundo aspeto nos leva à necessidade de garantir o acompanhamento e desenvolvimento do conhecimento nestes sectores tanto do ponto de vista da capacidade empresarial, como tecnológica onde o entrosamento efetivo entre o mercado, as empresas e os centros tecnológicos, públicos e privados, deve, ser estimulado e apoiado para potenciar a criação de ecossistemas sustentáveis”; referindo ainda que os mesmos “ devem ser dotados de estrutura adequada a enfrentar a concorrência europeia e internacional em Portugal e, simultaneamente, adequada a competir, tanto na Europa como noutras áreas onde a nossa capacidade de inovação e liderança se afirmem”.

A Profª Rosário Macário (IST/UL), Coordenadora Científica do Ciclo, não deixou de dar o seu contributo acerca da temática, referindo que a própria evolução da economia foi comprometendo a disponibilidade financeira na matéria dos transportes, “Portugal não é caso único desta problemática que é particularmente contundente a todos os países ou na sua grande maioria a reunião de fatores que foram condicionando o financiamento público aos transportes; a Economia partilhada foi ganhando território com a introdução de operadores privados, com novos modelos de negócio”. Sendo por isso necessário “trazer e conjugar os agentes nos seus diferentes papéis e níveis de responsabilidade nos sistemas de mobilidade”.

Como keynote speaker, e para nos falar do financiamento dos sistemas de mobilidade urbana, contámos com a participação do Prof. José Manuel Viegas, Secretário Geral do International Transport Forum. Reportando que “o desenho institucional de quem manda não pode ser desligado de quem paga; o transporte não deve ser visto como um meio para pessoas de menores posses, o transporte publico deve existir para todos e ser atraente para todos, por outro lado é necessário discutir quais são os níveis de qualidade desejados neste sistema de mobilidade urbana”. Sendo indispensável separar decisões de nível estratégico, de nível tático e de nível operacional, “para se poder formular bem o problema do financiamento é necessário conhecer quais os verdadeiros custos; e é fundamental que o investimento / financiamento dos transportes seja precedido de estudos viáveis e concretos sobre as reais necessidades”. O Prof. José Manuel Viegas convidou todos a seguir de perto o trabalho, em particular os estudos, realizados pelo ITF, cujo Corporate Partnership Board, atualmente com 22 membros, funciona como uma plataforma de enriquecimento da discussão e análise de políticas de transportes com uma perspetiva empresarial.

O Eng. João Manuel Pereira Teixeira, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, partilhou a sua visão para Lisboa e Vale do Tejo para os próximos anos, onde deixou presente que “é preciso planear a mudança, com uso de novas tecnologias e não só, tendo em conta os recursos e que as pessoas que estão a nascer agora vão, desejavelmente, viver até ao final deste século, e esta é também uma decisão a ter em conta porque tudo o que se decide agora se reflete no futuro”, sem deixar de referir que “aos ritmos do crescimento da população mundial os padrões de consumo têm de ser melhor compatíveis uma vez que se aproxima de alguma escassez de recursos”.

A Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Dra. Maria das Dores Meira, partilhou a visão da autarquia para o futuro, referindo que “faz parte dos objetivos melhorar a oferta e desempenho dos transportes coletivos, através da melhoria do serviço prestado junto aos utentes, em conjunto com a Área Metropolitana de Lisboa para atingir os objetivos antes de 2030”. Em Setúbal é também fundamental “disciplinar a rede de logística e estacionamento das viaturas pesadas de transporte de mercadorias, nos acessos e dentro da cidade”.

O Dr. António Ramalho, Presidente da Infraestruturas de Portugal falou da “exigência de uma otimização estrutural do ponto de vista da alocação de recursos e da manutenção do investimento já realizado”. Dando uma visão sobre o futuro da mobilidade, enunciou as quatro tendências influenciadoras, tais como: “tendências gerais de mercado e concorrência; tendências tecnológicas; plataformas e produtos; e tendências para a sustentabilidade dos transportes”.

Em representação da Câmara Municipal de Lisboa, esteve o Vereador Carlos Manuel Castro que salientou a “valorização da entidade da própria, cidade percebendo que existem realidades que carecem de uma intervenção mais cuidada”. Apresentou a “necessidade de adaptar edificações existentes”, com os planos para requalificação de alguns dos acessos da cidade.

Ao longo do dia, nos vários momentos de debate, moderados pelo Dr. José Limão, Diretor da Transportes em Revista, foi consensual a ideia de que todas as questões não podem apenas passar pelo poder local, requerem financiamento concreto por parte do poder central. A par disso os municípios têm desenvolvido imenso trabalho junto dos respetivos municípios adjacentes a fim de perceber qual o melhor plano de mobilidade para os vários utentes. São ainda necessárias algumas obras ao nível da infraestrutura que necessitam de outro enquadramento que não o enquadramento regional / municipal.

Ao finalizar, coube ao Eng. Rui Camolino, Presidente da Associação, salientar que a troca de experiências e a partilha de conhecimentos registada no Ciclo de Conferências “são em si mesmas um elevado valor conquistado com o apoio de todos os que direta e indiretamente acolheram e apoiaram a sua realização.”

O Ciclo de Conferências para dar a conhecer uma visão abrangente sobre Os Transportes nas Cidades Portuguesas em 2030, terminou desta forma, com a temática do financiamento, numa sala que contou com a participação de mais de 150 pessoas.

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