Conferência ITS Portugal: Covilhã

A segunda edição do Ciclo de Conferências de Reflexão Estratégica promovido pela Associação, ocorreu no dia 18 de fevereiro, na Cidade da Covilhã, com o tema Construção de um sistema de inovação: informação, transparência e responsabilidade.

Com apoio da Câmara Municipal, a conferência decorreu no Auditório Municipal com uma audiência superior a 100 convidados e participantes, entre membros das autarquias da Covilhã e de Viseu, Associados ITS Portugal, membros da comunidade científica e académica, representantes de empresas do sector dos transportes e público em geral.

Como tem sido promovido pela Associação, a participação multidisciplinar revela-se da maior importância no debate da atualidade e para as Políticas de Transporte do Futuro, “os cenários de médio / longo prazo da mobilidade não são, normalmente, considerados fora das perspetivas politicas, é, portanto, necessário um esforço sério para debater a mobilidade”, como refere o Eng. Rui Dias Camolino, Presidente da Direção ITS Portugal.

O enquadramento feito pela Prof.ª Rosário Macário (IST/UL), Coordenadora Científica do Ciclo de Conferências realça a inovação como condutora do processo na mudança de paradigma em relação aos comportamentos face à mobilidade. No quotidiano existem “situações de exclusão porque passamos muito tempo em transito (deslocações de e para o trabalho) com consequências na saúde física e psicológica do cidadão. A mudança económica e social não se processa se não houver uma mudança de paradigma. Mudar um paradigma implica mudar aquilo em que se acredita, comportamentos, decisões racionais quer de indivíduos quer de empresas, mudar a opinião politica e publica e que induz os cidadãos em comportamento.” Referiu a Covilhã como um bom exemplo de solução difícil em termos de mobilidade, onde “inovar não só é preciso como é indispensável”.

Partilhando a sua visão da Cidade da Covilhã para 2030, o Presidente da Camara, Dr. Vítor Pereira prestou homenagem ao Arq. Nuno Teotónio Pereira que deixou importantes e marcantes obras para a mobilidade dos habitantes da Covilhã. Acentuou a transversalidade das abordagens local, regional e nacional como chave na mobilidade e com impacto aos níveis do ambiente e do território. “A Covilhã pretende afirmar-se como um modelo de desenvolvimento social e nesse sentido tem implementado um plano de mobilidade com recurso a meios mecânicos e pontes para ultrapassar o acentuado declive. Por outro lado, procura-se diminuir a afluência dos veículos ao centro da cidade, a dependência automóvel e, pelo contrário, favorecendo a mobilidade pedonal e encurtando o acesso às zonas de residência periféricas.”

Como keynote speaker convidado, o Eng. Faustino Gomes (TIS), salienta que “o futuro passa por sistemas de inovação quando assente nas premissas da partilha de dados, clareza e código de responsabilidade”. Um sistema de inovação deve criar valor, “apoiado em 3 dimensões: informação, transparência e responsabilidade, devendo a informação ser diversificada e abrangente com várias fontes e entidades a contribuir para essa informação, mediante a utilização de dados simples e interpretáveis, acessíveis e atuais, fiáveis e fidedignos.” Acentuou a importância de informar devidamente o cidadão, ao defender que “se as pessoas têm noção do impacto que determinadas medidas têm então ficam sensibilizadas para colaborar e fazer parte da solução, também estando integrados e participativos no sistema”. Relativamente aos Sistemas Inteligentes de Transporte, falou ainda de integração: “estamos a passar dos ITS’s clássicos para os ITS’s cooperativos, que põem os sistemas a conversar entre eles. A Comissão Europeia pede para que existam mais dados, mais informação e mais cooperação para poder existir integração dos sistemas ITS. A interoperabilidade é fundamental e para isso tem de existir integração.”

O Prof. Jorge Reis Silva (UBI) falou sobre o impacto da acessibilidade na inovação e empreendedorismo local, afirmando que “estamos habituados a ciclos políticos de 4 anos que muitas vezes não dão tempo à concretização de determinadas medidas, exatamente porque os resultados surgem muito após esses 4 anos”. Os próprios temas de mobilidade podem ser formatados para uma determinada altura (no tempo) mas não devem ser condicionados ou condicionantes. Segundo aquele Professor “a interdependência económica entre regiões acaba por criar conexões em rede que vão para além das considerações politicas; sendo também importante, em termos de inovação e empreendedorismo local, que as infraestruturas de acessibilidade e desenvolvimento regional estejam absolutamente ligadas e criem dependências entre elas.

Em representação da WAYDIP, o Eng. Francisco Duarte abordou o tema das barreiras à inovação, partilhando a experiência pessoal sobre as dificuldades em dar continuidade ao projeto piloto criado na Covilhã, após a apresentação dos resultados. De facto, “após não terem sido alcançados os resultados esperados com o piloto, os parceiros apesar de disponíveis, ficaram receosos e os financiadores recuaram. Os projetos têm de ser financiados durante todo o processo de inovação e aqui (em Portugal) não existe essa cultura, quando existem resultados menos favoráveis existe um recuo que não permite uma nova fase de investigação e testes de continuidade”. Realçando que em Portugal “não existe cultura do risco e do apostar, não desistir, não encarar todas as dificuldades como uma barreira”. Francisco Duarte afirmou que no plano energético “as energias renováveis são o caminho, mas estão a ser geradas fora das cidades e é necessário trazer a geração de energia para dentro das cidades”, evidenciando-se aqui também uma mudança de paradigma.

Já na parte da tarde, em representação da CIM das Beiras e Serra da Estrela, o Dr. António Ruas manifesta preocupação pela desertificação a que se vem assistindo da zona da Beira e que “importa inverter as tendências demográficas, o que tem de ser possível para que a mobilidade aconteça, pois sem pessoas não existe mobilidade”. Os cidadãos têm de ser vistos como razão da maior importância para dar inicio a novas políticas de mobilidade. Falou ainda do plano estratégico da comunidade intermunicipal enumerando alguns pontos como: projetos infraestruturais, projetos na rede logística de proximidade, projetos de promoção da mobilidade sustentável em baixa intensidade, promoção da bilhética integrada para a interoperabilidade, informação em tempo real de horários e estado dos transportes online, e a criação de um centro de mobilidade e impacto da mobilidade.

Em representação da PSA Peugeot Citroen, instalada na região, o Eng. António Madeira apresentou-nos a posição da empresa em relação à inovação, e revela que até 2020 o veículo autónomo pode ser uma realidade com produção em massa. “Para enfrentar os desafios globais e respondendo aos desafios da inovação, no Grupo foram desenvolvidas estratégias de inovação em áreas como as tecnologias limpas, o veículo autónomo e conectado, e a atratividade.

Por último, na qualidade de representante da autarquia convidada, o Dr. António Almeida Henriques, Presidente da Camara, falou na mobilidade em Viseu como uma “visão de longo prazo visando tornar -se a melhor cidade para viver”. A cidade tem um conjunto de estímulos que visam a fixação das pessoas no centro histórico, a criada Central de Mobilidade de Viseu apresenta um sistema de gestão integrado onde também inclui transporte on demand para freguesias e centro histórico. “Viseu, a cidade conectada” tem uma nova rede e concessão de transportes públicos, que se encontra em fase de concurso público internacional; tem também uma nova rede de parques de estacionamento com gestão integrada e dá enfoque ao “sistema de gestão integrado e inteligente baseado na mobilidade”.

Durante o dia ocorreram duas sessões de mesa redonda, moderadas pelo Dr. José Monteiro Limão, Diretor da Transportes em Revista, com os convidados de cada painel, da manhã e da tarde, e com participação da audiência. José Limão agradece a ousadia da Camara em aceitar o desafio da Associação ITS Portugal para a realização da conferência na Covilhã, e a presença da Camara de Viseu, salientando a importância da temática e relembrando que devem ser criadas condições que permitam o estabelecimento de novas pessoas ou retenção da população na região.

No final da conferência, foi possível concluir que a inovação vem de braço dado com o empreendedorismo, mas não cabe apenas ao lado privado, o sector publico tem de criar condições para o privado inovar. A tecnologia é importante e fundamental, é facilitadora dos processos mas, só por si, não resolve tudo.

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