Conferência ITS Portugal: Évora

No passado dia 24 de novembro, em Évora, teve lugar a abertura do Ciclo de Conferências de Reflexão Estratégica promovido pela Associação, subordinada ao tema Da Mobilidade à Acessibilidade dos Transportes nas Cidades Portuguesas em 2030.

O Palácio D. Manuel I serviu de palco a destacados representantes das autarquias de Évora e Beja, da comunidade científica e académica, da regulamentação sectorial, da atividade portuária e de novas modalidades oferecidas ao transporte urbano de passageiros, e plateia, para discussão de tópicos sobre Codecisão e Sistemas Partilhados.

A participação multidisciplinar e partilha das visões públicas e privadas complementaram-se, assumindo-se como drivers indissociáveis do sucesso para as Políticas de Transportes do futuro.

O enquadramento feito pela Professora Rosário Macário (IST/UL), Coordenadora Científica do Ciclo de Conferências, acentuou que “aparecem novas formas criadas a partir das pontes que são estabelecidas em torno dos modos de transporte convencionais e que anteriormente não estariam recetivos à partilha”. Estas soluções nascem, não de novos modos de transporte ou tecnologias mas sim da interação e integração do que está disponível, da partilha e da necessidade, muitas vezes promovida apelo utilizador final, “o próprio utilizador”, sublinhou. A Codecisão e Sistemas Partilhados é “uma realidade órfã no nosso enquadramento jurídico que vai precisar de constituir órgãos responsáveis pela sua tutela”, o cidadão e utilizador apresenta-se como o novo agente de decisão.

Salientando que não é comum este tipo de iniciativa em Portugal, ainda menos em Évora, o primeiro convidado, Dr. Carlos Manuel Rodrigues Pinto de Sá, Presidente da Câmara Municipal de Évora, felicitou a escolha da cidade para início do Ciclo de Conferências, admitindo que a atualidade passa por um período determinante para o futuro do paradigma dos transportes. “Évora está a crescer, o plano de mobilidade aqui é fundamental, tendo em conta as necessidades de deslocação, de fixação das pessoas à região e acima de tudo de interligação com os territórios adjacentes”, o Presidente da Câmara sublinhou ainda que “a cooperação entre instituições, Câmara e Universidades é parte da estratégia para 2030, Évora quer assumir-se como grande polo do país”.

O keynote speaker convidado, Prof. Francisco Ferreira (UNL), valorizou a acessibilidade, em que a “ideia parte de olhar para a mobilidade enquanto acessibilidade, numa visão integrada da sociedade e dos valores, considerando as componentes económica e social”. A nível mundial o sector dos transportes é responsável por 14% das emissões associadas aos combustíveis fósseis, em Portugal os transportes são responsáveis por 24%, números impossíveis de ignorar e que devem ser novamente equacionados, já que em Portugal “existe uma estratégia para o desenvolvimento sustentável que tem estado claramente adormecida”. O Prof. salientou que “o paradigma do transporte e da mobilidade / acessibilidade tem de ter em conta a poluição sonora, atmosférica, as alterações climáticas, os desafios do ordenamento do território e devem ser utilizadas novas tecnologias para permitir participação do cidadão”.

O Prof. Amado da Silva (UAL) chamou a atenção para que “nesta sociedade de acesso fica a questão de como se regulam os direitos de propriedade na sua relação com os direitos de acesso”, reforçando que as condições da regulação passam pela imparcialidade e por estar acessível a todos, sendo “um dos grandes problemas a compatibilização dos direitos de propriedade com os direitos de acesso”. Coube ao Prof. João Duque (ISEG/UL) frisar que “a partilha dos bens e da propriedade não é nova, mas o que é novo é a forma como se faz essa partilha”. Salientando que não são tudo benefícios, existem também custos que têm de ser mitigados, e “quando são mitigados, muitas vezes estes traduzem-se em cedências e opções relativamente ao modo de vida dos indivíduos”, por isso, deve-se estar atento ao ponto de vista do individuo, das escolhas pessoais que são feitas e das questões económicas.

A Arq. Isabel Seabra (IMT) destacou que os idosos do futuro serão diferentes dos idosos do presente, pelo que “as soluções devem contemplar ambas realidades”. O IMT foca-se na mobilidade combinada com foco nas cidades tendo em conta a escassez de recursos que as cidades podem ter. Em sua opinião “a questão do transbordo de passageiros pode ser maçadora e pesa na decisão do transporte a escolher, daí a crescente necessidade de otimizar o transbordo e alternativas, com a devida informação em tempo real e aumento da oferta de transportes”. Como exemplo, referiu um estudo conduzido em Lisboa pelo International Transport Fórum, em que se mostra que quando usado car pooling combinado com o metropolitano, pode existir uma redução da poluição e um impacto positivo no sistema de transportes.

Da parte da Administração do Porto de Sines e do Algarve, o Eng. Eduardo Bandeira salientou a necessidade de interação e utilização da ferrovia para continuação da expansão do porto, sendo o porto de Sines o maior porto nacional, este “tem um pequeno impacto na rodovia”. Procuram conquistar mercado espanhol, nomeadamente em Madrid, o que “não acontece devido à ligação ferroviária a Espanha”.

O Eng. Rui Bento, representante da UBER em Portugal, falou nas vantagens do uso da tecnologia, nomeadamente a “facilidade de utilização do smartphone e a sua aplicabilidade” como parte de um serviço que tem contribuído para a redução de vários veículos com o mesmo destino, em simultâneo. Salientou que os fatores fundamentais para a mobilidade nas cidades do futuro passam pelo “multimodal, decisão do passageiro com base em sistemas informativos em tempo real e planeamento”.

Em representação de Beja, cidade convidada, o Vereador Manuel Oliveira também sublinhou os sistemas informativos em que “muito potenciada pelas novas tecnologias, a partilha vai ser possível com segurança e confiança, quando apoiada numa app e plataforma para o efeito”. A Câmara Municipal de Beja tem já uma iniciativa de táxis coletivos que levam várias pessoas para suprir a falta de autocarros que deixaram de existir por não ser viável fazer trajetos em aldeias com poucos habitantes.

Presente nas comunicações dos vários oradores foi possível destacar a crescente necessidade de partilha dos vários sistemas, criando condições para tal, também através do uso de tecnologias de informação e passando pela necessidade de regular a forma como essa partilha pode ser feita, quais os seus limites e como contemplar as necessidades dos utilizadores com a devida segurança e redução de impacto para o meio ambiente. No futuro, o utilizador deve ser empowered, isto é, ele será cada vez mais o agente decisor.

Na abertura da Conferência, o Eng. Rui Camolino Presidente da Direção ITS Portugal salientou ser do interesse da Associação continuar a fomentar a comunicação entre os vários associados, quer seja pela aproximação entre todos seja a parceiros de especial interesse para sinergias futuras, assim bem como ter um papel ativo na divulgação de informação.

Assim, o Ciclo de Conferências com vista ao debate público dos temas e políticas relevantes no contexto social e económico dos transportes, assumiu e pretende continuar a assumir particular relevância para os associados da ITS - Portugal pelo que se renova o convite a todos os interessados em participar, seja contribuindo com comunicações subordinadas ao tema, seja ainda mediante partilha de experiencias, e que também se mantém disponível ao público em geral.

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